TIPOS DE PLANEJAMENTO NA EDUCAÇÃO ESCOLAR

(1) Planejamento Educacional:

O Planejamento Educacional, de responsabilidade do Estado, é o mais amplo, geral e abrangente. Tem a duração de 10 anos e prevê a estruturação e o funcionamento da totalidade do sistema educacional. Determina as diretrizes da política nacional de educação. É um processo de abordagem racional e científica dos problemas da educação, incluindo definição de prioridades e levando em conta a relação entre os diversos níveis do contexto educacional.
Os objetivos do Planejamento Educacional são: (a) Relacionar o desenvolvimento do sistema educacional com o desenvolvimento econômico, social, político e cultural do país, em geral, e cada comunidade, em particular; (b) Estabelecer as condições necessárias para o aperfeiçoamento dos fatores que influenciam diretamente sobre a eficiência do sistema educacional (estrutura, administração, financiamento, pessoal, conteúdo, procedimentos e instrumentos); (c) Alcançar maior coerência interna na determinação dos objetivos e nos meios mais adequados para atingi-los; (d) Conciliar e aperfeiçoar a eficiência interna e externa do sistema.
É condição primordial do processo de planejamento integral da educação que, em nenhum caso, interesses pessoais ou de grupos possam desviá-lo de seus fins essenciais que vão contribuir para a dignificação do homem e para o desenvolvimento cultural, social e econômico do país.
O Plano Nacional de Educação (PNE) é o resultado do Planejamento Educacional da União. O PNE descreve, dentre outras coisas, as 20 metas para os próximos dez anos.
(2) Planejamento Escolar:
Um bom Planejamento Escolar feito na primeira semana do ano letivo, certamente, evitará problemas futuros. Esse é o objetivo da Semana Pedagógica: reunir gestores, orientadores, supervisores, coordenadores e corpo docente para planejarem os próximos 200 dias letivos. É o momento de integrar os professores que estão chegando, colocando-os em contato com o jeito de trabalhar do grupo, e, claro, mostrar os dados da escola para todos os docentes, além de apresentar as informações sobre as turmas para as quais cada um lecionará.
Tais pontos são importantes planejar, discutir, elaborar e definir nessa primeira semana do ano: (a) As diretrizes quanto à organização e à administração da escola; (b) Normas gerais de funcionamento da escola; (c) Atividades coletivas do corpo docente; (d) O calendário escolar; (e) As atividades extraclasse; (f) O sistema de acompanhamento e aconselhamento dos alunos e o trabalho com os pais; (g) As metas da escola e os passos que precisam ser dados durante o ano para atingi-los; (h) Os projetos realizados no ano anterior; (i) Os novos projetos que serão desenvolvidos durante o ano; (j) Os temas transversais que serão trabalhados e distribui-los por meses; (k) Revisar o Projeto Político Pedagógico.
Há a descrença na utilidade do planejamento. Alguns professores consideram impossível dar conta de tal tarefa porque o trabalho em sala de aula é dinâmico e imprevisível, faltam condições mínimas, como tempo, e existe o pensamento de que nada mudará e, portanto, basta repetir o que já tem sido feito. Há também aqueles que acreditam na importância do planejamento, mas não concordam com a maneira como é feito.
(3) Planejamento Curricular:
O Planejamento Curricular tem por objetivo orientar o trabalho do professor na prática pedagógica da sala de aula. Definir o currículo a ser desenvolvido em um ano letivo é uma das tarefas mais complexas da prática educativa e de todo o corpo pedagógico das instituições.
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC), elaborada por equipes de especialistas ligados ao Ministério da Educação (MEC), têm por objetivo estabelecer uma referência curricular nacional (base nacional comum) e apoiar a elaboração de propostas curriculares particulares que levam em consideração as especificidades das realidades econômicas, sociais, culturais e políticas das regiões, dos Estados, dos Municípios e das escolas do país. A BNCC é uma proposta do MEC para a eficiência da educação escolar brasileira. São referências a todas as escolas do país para que elas garantam aos estudantes uma educação básica de qualidade. O seu objetivo é garantir que crianças e jovens tenham acesso aos conhecimentos necessários para a integração na sociedade moderna como cidadãos conscientes, responsáveis e participantes.
Todavia, a escola não deve simplesmente executar o que é determinado na BNCC, mas sim, interpretar e operacionalizar essas determinações, adaptando-as de acordo com os objetivos que quer alcançar, coerentes com a clientela e de forma que a aprendizagem seja favorecida.
(4) Planejamento de Ensino:
O Planejamento de Ensino é a especificação do planejamento de curricular. É desenvolvido, basicamente, a partir da ação do professor e compete a ele definir os objetivos a serem alcançados, desde o seu programa de trabalho até eventuais e necessárias mudanças de rumo. Cabe ao professor, também, estabelecer o conteúdo da matéria e as estratégias de ensino e de avaliação e agir de forma a obter um retorno de seus alunos no sentido de redirecionar a sua disciplina. Por esse motivo, o Planejamento de Ensino não pode ser visto como uma atividade estanque.
O Planejamento de Ensino deve prever: (a) Objetivos específicos estabelecidos a partir dos objetivos educacionais;(b) Conhecimentos a serem aprendidos pelos alunos no sentido determinado pelos objetivos; (c) Procedimentos e recursos de ensino que estimulam, orientam e promovem as atividades de aprendizagem; (d) Procedimentos de avaliação que possibilitem a verificação, a qualificação e a apreciação qualitativa dos objetivos propostos, cumprindo pelo menos a função pedagógico-didática de diagnóstico e de controle no processo educacional.
O resultado desse planejamento é o plano de ensino, um roteiro organizado das unidades didáticas para um ano, um semestre ou um bimestre. Esse plano deve conter: ementa da disciplina, justificativa da disciplina em relação aos objetivos gerais da escola e do curso, objetivos específicos, conteúdo (com a divisão temática de cada unidade), tempo provável (número de aulas do período de abrangência do plano), desenvolvimento metodológico (métodos e técnicas pedagógicas específicas da disciplina), recursos tecnológicos, formas de avaliação e referencial teórico (livros, documentos, sites, etc.). Do plano de ensino resultará, ainda, o plano de aula, no qual o professor especificará as realizações diárias para a concretização dos planos anteriores.
(5) Planejamento da Ação Didática:
Na prática pedagógica atual o processo de planejamento do ensino tem sido objeto de constantes indagações quanto à sua validade como efetivo instrumento de melhoria qualitativa do trabalho do professor. As razões de tais indagações são múltiplas e se apresentam em níveis diferentes na prática docente.
A vivência do cotidiano escolar evidencia situações bastante questionáveis nesse sentido. Percebeu-se, de início, que os objetivos educacionais propostos nos currículos dos cursos apresentam-se confusos e desvinculados da realidade social. Os conteúdos a serem trabalhados, por sua vez, são definidos de forma autoritária, pois os professores, via de regra, não participam dessa tarefa. Nessas condições, tendem a mostrarem-se sem elos significativos com as experiências de vida dos alunos, seus interesses e suas necessidades.
Percebe-se também que os recursos disponíveis para o desenvolvimento do trabalho didático tendem a ser considerados como simples instrumentos de ilustração das aulas, reduzindo-se dessa forma a equipamentos e objetos, muitas vezes até inadequados aos objetivos e conteúdos estudados.
Com relação à metodologia utilizada pelo professor, observa-se que esta tem se caracterizado pela predominância de atividades transmissoras de conhecimentos, com pouco ou nenhum espaço para a discussão e a análise crítica dos conteúdos. O aluno sob esta situação tem se mostrado mais passivo do que ativo e, por decorrência, o seu pensamento criativo tem sido mais bloqueado do que estimulado. A avaliação da aprendizagem, por outro lado, tem sido resumida ao ritual das provas periódicas (avaliação somativa), através das quais é verificada a quantidade de conteúdos assimilada pelo aluno. Observa-se ainda que o professor, assumindo a sua autoridade institucional, termina por direcionar o processo de ensino e aprendizagem de forma isolada dos condicionantes históricos presentes na experiência de vida dos alunos.
Nesse contexto, o planejamento de ensino tem se apresentado como desvinculado da realidade social, caracterizando-se como uma ação mecânica e burocrática do professor, pouco contribuindo para elevar a qualidade da ação pedagógica desenvolvida no âmbito escolar.
No meio escolar, quando se faz referência a planejamento do ensino, a ideia que passa é aquela que identifica o processo através do qual são definidos os objetivos, o conteúdo programático, os procedimentos de ensino, os recursos didáticos, a sistemática de avaliação da aprendizagem, bem como a bibliografia básica a ser considerada no decorrer de um curso, série ou disciplina de estudo. Com efeito, este é o padrão de planejamento adotado pela grande maioria dos professores e que, em nome da eficiência do ensino disseminada pela concepção tecnicista de educação, passou a ser valorizado apenas em sua dimensão técnica.
Essa situação dos componentes do plano de ensino de uma maneira fragmentária e desarticulada do todo social é que tem gerado a concepção de planejamento incapaz de dinamizar e facilitar o trabalho didático. O processo de planejamento precisa extrapolar a simples tarefa de se elaborar um documento contendo todos os componentes tecnicamente recomendáveis, superando-se a prática fragmentária e desarticulada do plano de ensino do todo social.
Quando se fala em planejar a ação didática, está se prevendo as ações e os procedimentos que o professor realizará junto a seus alunos e a organização das atividades discentes e da experiência de aprendizagem visando atingir os objetivos educacionais estabelecidos. Nesse sentido, o planejamento de ensino torna-se a operacionalização do currículo escolar.
No que se refere ao aspecto didático, planejar é: (a) Analisar as características da clientela (aspirações, necessidades e possibilidades dos alunos); (b) Refletir sobre os recursos disponíveis; (c) Definir os objetivos educacionais considerados mais adequados para a clientela em questão; (d) Selecionar e estruturar os conteúdos a serem assimilados, distribuídos ao longo do tempo disponível para o seu desenvolvimento; (e) Prever e organizar os procedimentos do professor, bem como as atividades e experiências de construção do conhecimento consideradas mais adequadas para a consecução dos objetivos estabelecidos; (f) Prever e escolher os recursos de ensino mais adequados para estimular a participação dos alunos nas atividades de aprendizagem; (g) Prever os procedimentos de avaliação mais condizentes com os objetivos propostos.
O Planejamento da Ação Didática também é um processo que envolve operações mentais como analisar, refletir, definir, selecionar, estruturar, distribuir ao longo do tempo, e prever formas de agir e organizar. O processo de planejamento da ação docente é o plano didático. Em geral, o plano didático assume a forma de um documento escrito, pois é o registro das conclusões do processo de previsão das atividades docentes e discentes.
O plano é apenas um roteiro, um instrumento de referência e, como tal, é abreviado, esquemático e aparentemente sem vida. Compete ao professor que o confeccionou dar-lhe vida, relevo no ato de sua execução, impregnando-o de sua personalidade e entusiasmo, enriquecendo-o com a sua habilidade e expressividade.
(6) Planejamento Participativo:
O planejamento é um processo de sistematização e organização das ações do professor. É um instrumento da racionalização do trabalho pedagógico que articula a atividade escolar com os conteúdos do contexto social. O ato de planejar está presente em todos os momentos da vida humana. A todo o momento os indivíduos são obrigados a planejar, a tomar decisões que, em alguns momentos, são definidas a partir de improvisações; em outros, são decididas partindo de ações previamente organizadas.
Sem um mínimo de conhecimento das condições existentes em uma determinada situação e sem um esforço de previsões de alterações possíveis desta situação, nenhuma ação de mudança será eficaz e eficiente, ainda que haja clareza dos objetivos dessa ação. Planejamento é um processo de busca de equilíbrio entre meios e fins, entre recursos e objetivos, visando à melhoria do funcionamento do sistema educacional. Como processo, o planejamento não ocorre em um momento do ano, mas a cada dia. A realidade educacional é dinâmica.
O planejamento é uma tomada de decisão sistematizada, racionalmente organizada sobre a educação, o educando, o ensino, o educador, as matérias, as disciplinas, os conteúdos, os métodos as técnicas de ensino, a organização administrativa da escola e a comunidade escolar.
O planejamento da educação é composto por diferentes níveis de organização. Assim, pode-se pensar em nível macro no Planejamento do Sistema de Educação, que corresponde ao planejamento da educação em âmbito nacional, estadual e municipal. Tal planejamento elabora, incorpora e reflete as políticas educacionais.
O planejamento global da escola corresponde às ações sobre o funcionamento administrativo e pedagógico da escola. Tal planejamento necessita da participação do conjunto da comunidade escolar. Na atualidade, em que o trabalho pedagógico tem sido solicitado em forma de projeto, o planejamento escolar pode estar contido no Projeto Político Pedagógico (PPP) ou no Plano de Desenvolvimento Escolar (PDE).
O planejamento curricular é a organização da dinâmica escolar. É um instrumento que sistematiza as ações escolares do espaço físico às avaliações da aprendizagem. O planejamento de ensino envolve a organização das ações dos educadores durante o processo de ensino, integrando professores, coordenadores e alunos na elaboração de uma proposta de ensino, que será projetada para o ano letivo e constantemente avaliada. O planejamento de aula organiza ações referentes ao trabalho na sala de aula. É o que o professor prepara para o desenvolvimento da aprendizagem de seus alunos coerentemente articulado com o planejamento curricular, o planejamento escolar e o planejamento de ensino.



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