TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO NA EDUCAÇÃO
(1) Recursos de ensino:
A mídia pode ser inserida em sala de aula através dos recursos de ensino. Recursos de ensino são componentes do ambiente de aprendizagem que dão origem ao estímulo para o aluno. Tais componentes são, além do professor, todos os tipos de mídias que podem ser utilizadas em sala de aula, tais como revistas, livros, mapas, fotografias, gravações, filmes, etc.
A utilização de recursos de ensino diminui o nível de abstração dos alunos, pois eles veem na prática o que estão aprendendo na escola e podem relacionar a matéria aprendida com fatos reais do seu cotidiano. Dessa maneira, é mais fácil para eles absolverem os conteúdos escolares. O ensino verbalizado, o uso de palavras sem experiência, não deve mais ser usado pelo professor, uma vez que os alunos aprendem mais quanto mais pratica experiências em torno do que está sendo ensinado. Neste sentido, os objetivos do uso dos recursos de ensino são: (a) Motivar e despertar o interesse dos alunos; (b) Favorecer o desenvolvimento da capacidade de observação; (c) Aproximar o aluno da realidade; (d) Visualizar ou concretizar os conteúdos da aprendizagem; (e) Oferecer informações e dados; (f) Permitir a fixação da aprendizagem; (g) Ilustrar noções mais abstratas; (h) Desenvolver a experimentação concreta.
Para a utilização dos recursos de ensino é preciso estar atento aos seus objetivos, eficácia e função em relação à matéria ensinada. Todos esses objetivos podem ser alcançados através de recursos de ensino, midiáticos, como por exemplo, computador, internet, em que o aluno além de conhecer novas tecnologias, faz também interação com o mundo e novas informações. O estudante busca algo novo, algo atrativo, e a educação deve acompanhar essa busca. Mas não basta apenas usar a tecnologia no ambiente de ensino/aprendizagem. É preciso rever o uso que se faz de diferentes tecnologias enquanto estratégias, tendo clareza quanto à função do que se está utilizando. Não basta trocar o livro por um computador se na prática não se promove a inclusão do discente no que se refere aos processos de aprendizagem.
(2) Computador como tecnologia da informação:
O computador é uma tecnologia da informação devido à sua grande capacidade na solução de problemas relacionados ao armazenamento, à organização e à produção de informação de várias áreas do conhecimento. A utilização dessa tecnologia pode ser usada de várias formas, como por exemplo, programas de exercício-e-prática, jogos educacionais, programas de simulação, linguagem de programação, entre outras, despertando, assim, um grande interesse do aluno.
O computador não é mais o instrumento que ensina o aprendiz, mas a ferramenta com a qual o aluno desenvolve algo e, portanto, o aprendizado ocorre pelo fato de estar executando uma tarefa por intermédio do computador. O processo de interação torna-se mais agradável com a presença da multimídia na aprendizagem, pois naquele momento o estudante está descobrindo o novo.
(3) Aplicação de novas tecnologias na educação:
A aplicação de novas tecnologias na educação vem modificando o panorama do sistema educacional e, por isso, pode-se falar de um tipo de aula antes e depois da difusão de mídias integradas e tecnologias avançadas de comunicação digital. Os resultados das aplicações de tais tecnologias estão criando condições objetivas para questionarem a real necessidade de se preparar para o ensino virtual. Hoje, há a percepção de algumas tendências relativas aos novos modelos de ensino e aprendizagem mediados por computador. Uma dessas tendências é a aprendizagem por meio de Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA).
(4) Utilização de novas formas de comunicação na educação:
Assim como a tecnologia, a comunicação envolvida no processo de ensino e aprendizagem também está em constante transformação. Por esse motivo, não é mais possível estar diante de uma sala de aula com a expectativa de captar a atenção de toda uma turma de crianças e adolescentes e utilizar uma linguagem do século passado. Atualmente, não é mais possível falar sobre ecologia sem falar sobre sustentabilidade e tecnologias limpas. Ou falar sobre linguagens sem mencionar os memes e as fake news. E esses são apenas alguns dos exemplos possíveis.
Para estabelecer uma comunicação verdadeira com a realidade dos estudantes das novas gerações, o processo de ensino e aprendizagem necessita, invariavelmente, levar em conta e valer-se da tecnologia. Dessa necessidade emergiu a tecnologia educacional. Pensada especificamente para trazer inovação e facilitar o processo de ensino e aprendizagem, ela aparece nas salas de aula de diversas maneiras: em novos dispositivos ou gadgets, softwares e soluções educacionais.
(5) Conceito de tecnologia educacional:
A tecnologia educacional diz respeito à utilização de recursos tecnológicos para fins pedagógicos. O seu objetivo é trazer para a educação práticas inovadoras que facilitem e potencializem o processo de ensino e aprendizagem. O uso da tecnologia educacional tem sido amplamente discutido no meio acadêmico, na mídia e nos círculos sociais. As maiores críticas dizem respeito à sua relação com o papel da escola e do professor e à dificuldade de acesso à tecnologia, especialmente nas escolas da rede pública e entre estudantes com menor renda familiar.
(6) Por que usar a tecnologia educacional?:
Praticamente todas as áreas da sociedade têm experimentado uma grande evolução tecnológica. Toda evolução compreende uma mudança na comunicação, nas relações sociais e no processo de ensino e aprendizagem. Mas a utilização da tecnologia educacional nem sempre é bem recebida, inclusive por educadores. A origem dessa resistência talvez esteja na desinformação sobre as diferentes possibilidades que ela oferece à educação.
Alguns motivos para utilizar a tecnologia digital na escola são: (a) A tecnologia digital desperta maior interesse e prende a atenção dos alunos. O uso da tecnologia digital na educação contribui enormemente para o engajamento dos estudantes na dinâmica de aula. É importante variar a rotina de estudos, fazer pequenas mudanças no local e, especialmente, experimentar diferentes ferramentas e recursos tecnológicos. Quando se buscam novas formas de ensinar e aprender, torna-se a rotina de estudos mais interessante e prazerosa. Consequentemente, crescem a atenção e o interesse dos discentes pelo assunto em pauta. (b) A tecnologia digital auxilia na percepção e na resolução de problemas reais. É preciso aproximar o conteúdo estudado da realidade dos alunos. Dar um sentido mais prático às disciplinas, seja por meio da contextualização da informação, seja através dos meios utilizados para transmiti-las, auxilia não apenas na compreensão dos conteúdos, mas também na visualização e na resolução de problemas reais que se apresentam no dia a dia do estudante. (c) A tecnologia digital insere os jovens no debate social e contribui para a formação do senso crítico. A tecnologia digital possibilita acessar informações atualizadas, em tempo real. Não é mais preciso aguardar pela atualização do livro didático impresso para ter acesso a temas contemporâneos, questões recentes de vestibulares, dados atualizados e debates sociais relevantes. Trabalhar com informações atualizadas contribui para inserir o estudante no debate social e desenvolver o seu senso crítico e de argumentação, preparando-o simultaneamente para os desafios da vida social. (d) A tecnologia digital trabalha a responsabilidade na utilização da internet e dos recursos digitais. A inserção da tecnologia no ambiente escolar ajuda a estabelecer regras de convivência e segurança nos ambientes virtuais. Também é uma boa oportunidade para trabalhar a responsabilidade no manuseio e na conservação dos equipamentos digitais. (e) A tecnologia digital contribui para democratizar o acesso ao ensino. O uso da tecnologia digital em sala de aula (recursos sonoros, visuais e de escrita, por exemplo) pode dar mais autonomia aos estudantes portadores de deficiência, transtornos ou problemas de aprendizagem, ajudando-os a superar limitações e a desenvolver ao máximo o seu potencial. (f) A tecnologia digital oferece feedback imediato e constante a professores, alunos e responsáveis. Nas escolas que utilizam um Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA), transferir as tarefas e avaliações para o meio digital é uma maneira de gerar dados de desempenho imediatos para professores, alunos e responsáveis. Dessa maneira, o estudante pode corrigir equívocos enquanto o conteúdo continua recente na memória em vez de descobrir dias depois (ou apenas no final do bimestre) que, durante todo o tempo, o seu desempenho esteve abaixo do esperado. Além disso, professores e responsáveis acompanham de perto a evolução de cada estudante, intervindo e direcionando os estudos conforme o necessário. (g) A tecnologia digital permite traçar um plano de ensino adequado a cada aluno. A tecnologia digital permite gerar uma grande quantidade de dados educacionais. É possível identificar temas e conceitos nos quais os estudantes apresentam maior facilidade ou dificuldade de compreensão, bem como verificar o desempenho da turma e de cada aluno, individualmente. A análise desses dados dá autonomia para que professores tracem um plano de ensino personalizado, mais adequado a cada turma e estudante. Também possibilita que o próprio aluno, nas etapas mais avançadas da educação básica, direcione o seu aprendizado para suas áreas de interesse e da formação que pretende seguir.
(7) Exemplos de usos da tecnologia educacional:
A tecnologia educacional pode estar presente na educação de diversas maneiras. Algumas delas são: (a) Gadgets (dispositivos) como a lousa digital, os tablets e as mesas educacionais. (b) Softwares como os aplicativos, os jogos e os livros digitais. (c) Outras soluções educacionais como a realidade aumentada, os Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA) e as plataformas de vídeo.
(8) Formas como a tecnologia educacional vem transformando a educação:
(a) Ensino híbrido: a prática de combinar o estudo online e offline. Confere maior autonomia aos estudantes para que trilhem os seus próprios roteiros de estudo e desenvolvam projetos ou atividades de sistematização e de reforço. Também é uma prática que incentiva e facilita que o aluno desenvolva o hábito do estudo diário fora do ambiente escolar.(b) Sala de aula invertida: o aluno traz para a aula o conhecimento prévio sobre o tema que será estudado, adquirido a partir de textos, vídeos, jogos e outros formatos de conteúdo recomendados pelo professor (quase sempre no meio digital). A construção e significação deste conhecimento, no entanto, acontecem em conjunto na sala de aula. A proposta da sala de aula invertida tem como objetivo colocar o estudante no papel de protagonista do seu processo de aprendizagem e da sua própria evolução, engajando também os outros membros do seu núcleo familiar. (c) Gamificação: consiste em utilizar elementos de jogos digitais (como avatares, desafios, rankings, prêmios, etc.) em contextos que diferem da sua proposta digital (como na educação). A principal vantagem no uso da gamificação é o aumento no interesse, na atenção e no engajamento dos alunos com o conteúdo e as práticas propostas. (d) Personalização do ensino: a geração de dados educacionais é extremamente beneficiada pelo uso da tecnologia educacional, pois simplifica a aferição do desempenho e dos resultados de avaliações objetivas. A partir desses dados, é possível criar modelos de ensino personalizados que estejam em sintonia com o momento real de aprendizagem de cada estudante. Assim, o professor tem uma noção mais clara do panorama da turma e pode agir individualmente e de forma personalizada sobre os pontos potenciais e de maior dificuldade de cada aluno. (e) Microlearning: a enorme quantidade de informações com as quais se tem contado diariamente ocasionou uma transformação na forma como se consome conteúdo. Para que a atenção não seja desviada prontamente, este conteúdo aparece no dia a dia de forma muito mais fragmentada em vídeos e mensagens breves. Daí surge a expressão microlearning que consiste na fragmentação de conteúdo educacional para que este seja melhor assimilado pelos alunos. O meio digital favorece este tipo de interação por meio de vídeos, jogos, animações, apresentações interativas, etc.
(9) Como inserir a tecnologia na escola?:
Existem medidas essenciais para inserir a tecnologia educacional de maneira relevante no dia a dia de uma instituição de ensino: (a) Diagnóstico: é preciso entender os alunos e os professores da escola. Em quais momentos eles estão conectados? A partir de quais dispositivos? Quais são as redes sociais em que estão presentes e os sites que acessam? Essa investigação é essencial caso a instituição pretenda estabelecer uma conexão verdadeira com os seus públicos e propor usos significativos para a tecnologia educacional. (b) Documentos normativos: as possibilidades para o uso da tecnologia educacional, bem como o destaque da sua importância, devem estar previstas dentro do Projeto Político Pedagógico e em outros documentos normativos da instituição de ensino. (c) Investimento: é importante relacionar tudo aquilo que a escola possui de suporte para o uso da tecnologia para daí desenvolver planos reais sobre as práticas que podem ser adotadas. Essa relação também deixa claro aquilo que é preciso melhorar e o investimento que pode ser feito com esta finalidade. (d) Capacitação: de nada adiantam os recursos tecnológicos sem uma equipe de professores e profissionais capacitados para extrair deles as melhores práticas pedagógicas. Por isso, a formação dos educadores para a tecnologia é primordial. (e) Diálogo: uma ação importante é estimular o diálogo e a troca de experiências entre as equipes. Os professores sentem-se mais seguros, dispostos e motivados a utilizar a tecnologia quando compartilham das experiências dos seus pares. (f) Segurança: é preciso estimular o uso consciente e seguro dos recursos digitais por parte tanto das equipes da escola quanto dos estudantes. (g) Atualização: a partir do momento em que o professor identifica uma prática ou rotina que poderia ser inovada com o uso da tecnologia, também é importante pensar na atualização dos planos de aula que irão nortear essas práticas.
(10) Plano de aula versus tecnologia:
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) deixa evidente a necessidade de trazer a tecnologia para dentro da realidade das escolas. Segundo a BNCC, os estudantes devem desenvolver ao longo da educação básica a competência para compreender e utilizar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares) para se comunicar por meio das diferentes linguagens e mídias, produzir conhecimentos, resolver problemas e desenvolver projetos autorais e coletivos.
Algumas ideias para atualizar o plano de aula e trabalhar a tecnologia de maneira relevante e integrada ao dia a dia da turma são: (a) Interação em ambientes virtuais: o educador deve procurar identificar as tarefas que podem ser transpostas, facilitadas ou repensadas para o meio digital. As ferramentas para isso são abundantes. É possível criar grupos e comunidades nas redes sociais, fóruns de discussão com temáticas específicas relacionadas ao conteúdo que está sendo estudado ou mesmo utilizar um Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA), caso a escola ou sistema de ensino disponha de um. (b) Textos em formato digital: o texto em formato digital permite ampliar o conhecimento acerca de uma temática, elucidar e ilustrar conceitos, contextualizar elementos históricos, esclarecer vocabulários específicos, entre diversas outras possibilidades. A leitura deixa de ser apenas receptiva para se tornar um processo interativo. Muitos materiais didáticos já possuem uma versão digital que pode ser aproveitada como recurso em sala de aula ou em casa. É importante explorar também as funcionalidades oferecidas por portais de notícia online, e-books, PDFs interativos, etc. O hipertexto permite adicionar links, imagens, vídeos, referências e diversos formatos de conteúdo adicional ao corpo do texto, transformando a forma como se lê e se aprende. Quando se transforma a forma de ler, modifica-se também a forma de produzir conteúdo. A tecnologia está presente ao longo de todo o texto da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Ela aparece especialmente na leitura, interpretação e produção de novos gêneros digitais como: blogs, tweets, mensagens instantâneas, memes, GIFs, vlogs, fanfics, entre diversos outros. O trabalho com esses gêneros pode ser explorado em diferentes áreas do conhecimento (não apenas em Língua Portuguesa), valorizando o trabalho interdisciplinar, como sugere, inclusive, a própria BNCC. (c) Métodos colaborativos de produção de conteúdo: uma maneira de engajar os estudantes com o plano de aula das disciplinas é torná-los parte da construção do conhecimento. Pode-se sugerir a mobilização para a criação de um blog para a turma e o estímulo à interação por meio dos comentários, organizando e deixando disponível para consulta um banco de textos e artigos com as produções dos alunos. (d) Apresentações em formatos multimídia: é importante empregar recursos tecnológicos no plano de aula, uma vez que o uso de materiais em diferentes formatos (como vídeos, apresentações em slides, mapas mentais, etc.) colabora para o engajamento da turma. Além disso, pode servir para enriquecer tanto a aula do professor quanto as apresentações dos próprios alunos. (e) Diferentes formatos de avaliação: a tecnologia também pode convergir para o plano de aula no modo de avaliação. Por mais que a prova em papel e caneta (com os alunos em fila e vigiados pelo professor) continue sendo o método de avaliação mais comum, existem formas diferentes de verificar a aprendizagem dos estudantes. Caso a escola utilize um sistema de ensino, sugere-se verificar se ele disponibiliza avaliações em formato digital como atividades de fixação e reforço, provas e simulados. (f) Aplicativos e softwares educacionais: utilizar elementos lúdicos para facilitar o entendimento de conceitos, além de estimular e engajar os estudantes para a realização de tarefas, das mais simples às mais complexas, não é nenhuma novidade na área de educação. No entanto, o desenvolvimento tecnológico ocorrido nos últimos anos possibilitou que essa prática fosse transportada para o meio digital e amplamente difundida nas salas de aula. Nas pautas mais recentes, esse fenômeno é conhecido como gamificação. Pensar novas formas de utilização da tecnologia a favor da educação é uma missão de todo profissional que atua hoje nessa área. Procurar manter-se atualizado sobre as tendências em tecnologia educacional, acompanhando blogs, revistas e portais de notícia sobre o assunto é fundamental. Também é importante a troca de experiências com outros profissionais e a descoberta de novas práticas, soluções e ferramentas que estão surgindo a cada dia.