SÃO PIER GIORGIO FRASSATI, A JUSTIÇA SOCIAL E A CAUSA ANTIFASCISTA
Filho de Alfredo Frassati e Adelaide Ametis, família abastada, dona do jornal La Stampa, Pier Giorgio Frassati nasceu na cidade de Turim em 6 de abril de 1901. Era profundamente antifascista, envolvendo-se em confrontos com os adeptos do Partido Social Fascista de Benito Mussolini.
Em 1921, Pier Giorgio Frassati ingressou no Partido Popular Italiano que pregava os ideais da Democracia Cristã. Estudante de Engenharia Industrial Mecânica na Escola Real Politécnica, entre 1918 e 1925, pretendia dedicar-se integralmente aos mineiros, que ele via como uma das classes profissionais mais sofredoras, seja em termos de dureza profissional, fosse em termos sociais. O seu compromisso social não era separado da espiritualidade.
Membro ativo da Sociedade de São Vicente de Paulo, Pier Giorgio Frassati dedicava-se a visitar doentes, distribuir alimentos e roupas e acompanhar os mais necessitados. Conciliava a sua dedicação aos pobres com uma vida intensa, uma vez que era montanhista, amante das artes e politicamente engajado, posicionando-se firmemente contra o fascismo. O seu lema “oração, ação e sacrifício” guiava as suas atividades na Juventude Católica e na Ordem Terceira Dominicana, da qual passou a fazer parte em 1922 com o nome de Frei Girolamo.
Segundo com Pier Giorgio Frassati, a oração e o serviço ao próximo eram inseparáveis. Inspirado pelo ideal de justiça social, engajou-se na luta contra a exploração e a miséria, acreditando que a fé só tinha sentido se fosse encarnada no cuidado concreto com os mais necessitados. Dessa maneira, na Itália marcada pelo avanço do fascismo de Mussolini, Pier Giorgio Frassati não se calou. O fascismo foi um regime político autoritário que surgiu na Itália com Benito Mussolini. Ele defendia um Estado forte, com um único partido e um líder visto quase como um “salvador da pátria”. Esse líder era exaltado em discursos, imagens e símbolos que circulavam nas escolas, nas praças e em desfiles militares, criando um verdadeiro culto à sua figura. O nacionalismo era intenso, pois exaltava-se a pátria acima de tudo e qualquer ideia ou pessoa que ameaçasse tal unidade era perseguida. Por exemplo, estrangeiros, imigrantes ou minorias eram tratados como inferiores e muitas vezes excluídos da vida social. Ademais, o fascismo era contra o socialismo, reprimindo sindicatos e movimentos operários que lutavam por direitos trabalhistas, pois entendia que qualquer luta de classes ameaçava a ordem e a “força da nação”.
Pier Giorgio Frassati participou de protestos e manifestações, enfrentando diretamente os grupos fascistas que buscavam impor pela violência um regime autoritário e contrário à dignidade humana. Muitas vezes foi agredido fisicamente em atos públicos, mas continuou firme, recusando-se a abandonar sua luta por liberdade, justiça e democracia. Terceiro dominicano, montanhista, amigo dos trabalhadores e defensor da dignidade humana, viveu o evangelho nas periferias da Itália.
Pier Giorgio Frassati faleceu na cidade de Turim em 4 de julho de 1925 após uma contaminação por poliomielite ao cuidar dos mais pobres. O seu funeral reuniu multidões de excluídos sociais e perseguidos pelo regime fascista de Mussolini.
Segue abaixo carta de Pier Giorgio Frassati de 1924 para leitura, conhecimento e reflexão sobre a sua causa antifascista.
* O GOVERNO FASCISTA É PODRE, ABAIXO AS TIRANIAS (CARTA DE 1924) *
Por PIER GIORGIO FRASSATI
Caríssimo Tonino, você lerá no jornal que ontem sofremos uma pequena devastação na nossa casa por causa dos porcos fascistas. Foi um ato covarde, mas nada mais. Estávamos tranquilamente à mesa, e eram 12h45 quando ouvimos tocar a campainha. Mariscia correu para olhar e viu um jovem bastante bem vestido pela janela; pensando que fosse meu amigo, abriu uma fresta na porta. Ele imediatamente pediu para falar com o Frassati, ao receber resposta negativa forçou a porta e, gritando "entrem", entrou na casa junto com outros cinco. Estávamos comendo tranquilamente quando ouvimos os gritos de Mariscia. A princípio, pensei que fossem ladrões, mas então, assim que cheguei ao corredor e vi um deles tratando de tirar o telefone do gancho, imediatamente pensei nos fascistas, e o sangue correu mais rápido em minhas veias naquele instante. Me joguei sobre aquele canalha gritando "canalhas, covardes e assassinos", assentei-lhe um soco.
Corajosamente, assim que os patifes ouviram a voz de um homem, correram porta afora e fugiram, perseguidos por mim e Ítalo. Lá fora havia um carro à sua espera. Entretanto, conseguiram quebrar dois espelhos. Depois, houve um vaivém de comissários, carabinieri, juízes de instrução, Procurador do Rei... São pessoas sem nenhum pudor; depois dos acontecimentos de Roma, já não deveriam mais andar por aí, mas se envergonhar por serem fascistas; em vez disso, continuam a dar prova do que sempre foram e sempre serão. Agora, são suas últimas façanhas, as façanhas da agonia, porque o governo já está tão podre que, se os cirurgiões não intervirem prontamente para cortar a parte gangrenosa, não haverá mais esperança sequer de salvar uma pequena parte.
Nós, sortudos, hoje podemos gabar-nos de sempre termos sido contra esse partido, formado por uma associação criminosa, ladrões, assassinos ou idiotas, que, em suma, é o fascismo agora. E agora lhe deixo, desabafei minha alma com você que sei que compartilha minhas mesmas ideias, e lhe deixo gritando: viva Matteotti, viva a liberdade, viva a Democracia. Abaixo as tiranias.
