OS HEBREUS NA ANTIGUIDADE ORIENTAL
Os hebreus eram um dos povos semitas que, na tradição bíblica, descendiam de Sem, filho primogênito de Noé. O conceito de semita se refere a um tronco linguístico que inclui o hebraico, o aramaico e o árabe, entre outras línguas.
O povo hebreu tinha como religião o judaísmo, o primeiro monoteísmo na história universal das religiões. O judaísmo tem como elemento fundamental a crença em um único deus, invisível e indivisível (Yahvé), criador do mundo e de todas as coisas (os hebreus tinham a crença de serem eles o povo eleito, dentre todos os demais povos).
O patriarca do judaísmo foi Abraão, natural da cidade de Ur, na Mesopotâmia. Ele teria recebido uma revelação divina e se recusado a cultuar os ídolos. Fez uma aliança com Yahvé por meio da circuncisão que lhe fora exigida aos 86 anos de idade. Assim, Abraão é considerado o patriarca que fundou a linhagem hebreia, migrado da Mesopotâmia para Canaã, na Palestina, onde seria erguido o reino hebreu mais tarde. Descendem de Abraão as 12 tribos (unidades patriarcais) fixadas na Palestina, cujas mais importantes foram os de Benjamin, Judá e Levi.
(1) O tempo de Moisés:
Os hebreus eram pastores que depois adotaram a agricultura e se dedicaram ao comércio, favorecidos pela proximidade das principais rotas da região.
O povo hebreu passou, no entanto, por uma série de períodos de fome. Por volta do II milênio a.C., há evidências de uma migração voluntária de hebreus para o delta do Nilo, autorizada pelo faraó. Posteriormente, foram submetidos à tributação coletiva pelos egípcios, obrigados a trabalhos nas obras do faraó e impedidos de deixar o reino. Tal situação dos hebreus é narrada na Bíblia como o cativeiro do Egito. Mas nem todos os hebreus teriam passado pelo cativeiro egípcio, que durou séculos, pois parte deles permaneceu na Palestina.
Foi entre os hebreus que viviam no Egito que surgiu Moisés. A Bíblia conta que Moisés teria sido o único sobrevivente de um massacre de bebês hebreus do sexo masculino ordenado pelo faraó, identificado como Ramsés II. Colocado em uma cesta nas águas do Nilo, acabou descoberto por uma das filhas do faraó e foi criado no palácio. Já adulto, recebeu a revelação divina de que era hebreu e tinha por missão libertar o seu povo do cativeiro egípcio e levá-lo de volta à Palestina (a Terra Prometida).
A Moisés é atribuído o papel de legislador do judaísmo, incluindo a redação do Pentateuco (os primeiros cinco livros do Antigo Testamento) e os Dez Mandamentos, as tábuas da lei que, segundo a Bíblia, recebeu diretamente de Deus, no monte Sinai.
(2) O reino hebreu:
A formação do Estado hebreu não foi imediata, pois houve conflitos. Os maiores ocorreram entre as tribos do norte (que formariam posteriormente o Reino de Israel) e as do sul (o de Judá). Os hebreus do norte eram mais abertos às influências do politeísmo dos povos vizinhos, enquanto no sul eles eram monoteístas radicais.
No século XI a.C., o Estado hebreu surgiu com as 12 tribos aceitando Saul, da tribo de Benjamin, como rei, em decorrência das exortações do juiz Samuel. A falta de união política aumentava o risco dos hebreus serem dominados pelos povos vizinhos (como os filisteus). O reino hebreu abrangia uma estreita faixa de terra, que se estendia desde o sul do atual Líbano até a península do Sinai, e do mar Mediterrâneo até o rio Jordão.
No reinado de Saul, destacou-se o jovem guerreiro Davi. Ele ganhou prestígio ao vencer os vizinhos filisteus, que cobravam impostos dos hebreus do sul. A Bíblia narra esse combate, alegoricamente, ao mostrar a vitória de Davi sobre o gigante Golias, o líder dos filisteus. Com a morte de Saul, por volta de 1.010 a.C., Davi o sucedeu e conseguiu submeter os filisteus.
Assim, o Reino de Israel foi fortalecido, Jerusalém se consolidou como centro administrativo e um poderoso exército foi formado. Nesse tempo, o reino passou a ser respeitado pelos Estados vizinhos e a controlar rotas comerciais importantes.
Em decorrência dessa reorganização interna, o reino hebreu pôde expandir os seus domínios, agregando terras a leste do rio Jordão, o sul da Fenícia e parte da atual Síria (Colinas de Golã). Davi também reforçou o judaísmo entre os hebreus; enfrentou a conspiração do filho Absalão e tornou Betsabá uma de suas esposas ou concubinas (a lei judaica não impedia que o homem tivesse várias mulheres - poligamia). Dessa união, nasceu Salomão, terceiro grande rei de Israel.
Salomão ficaria conhecido pelo seu senso de justiça (justiça salomônica). Ele assumiu o governo por volta de 965 a.C. e ordenou a construção do templo de Jerusalém. Mandou construir um grandioso palácio com os recursos fiscais arrecadados no comércio e na tributação das aldeias. Submeteu, ainda, os hebreus do norte a trabalhos forçados, isentando de impostos os naturais de Judá, ao sul.
(3) O reino dividido:
Com a morte de Salomão, por volta de 922 a.C., os hebreus se dividiram. O Reino de Israel, ao norte, não resistiu aos assírios, em 722 a.C., comandados por Sargão II. O Reino de Judá, ao sul, também enfraquecidos, tornou-se tributário do antigo Egito por imposição do faraó Checonq. Em 587 a.C., a cidade sagrada dos hebreus caiu de vez, conquistada pelo rei da Babilônia, Nabucodonosor II. O cativeiro da Babilônia, que somente atingiu os hebreus do sul, perdurou até 532 a.C., ano em que a cidade foi tomada pelos persas e os hebreus foram autorizados a regressar para as suas terras.
