EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
O desenvolvimento da tecnologia e da internet possibilitou um avanço em uma modalidade de ensino: a Educação a Distância (EAD), que tem sido apontada como solução para as carências educacionais. Por esse motivo, projetos de educação a distância são inseridos em políticas educacionais que devem atentar para o contexto cultural em que estejam inseridos e as condições reais que se desenvolvem com o objetivo de proporcionarem ao educando uma autonomia do ato de aprender. Tal desenvolvimento tecnológico não apresentou a EAD, e sim, possibilitou um avanço nessa modalidade, tornando-a mais célere, mais democrática e funcional.
Cabe à educação propiciar ao educando, independentemente de modalidade de educação a distância ou presencial: (a) Aquisição de consciência crítica, criativa, participativa ou questionadora; (b) Formação sólida que assegure dominar conteúdos, compreender os princípios básicos que fundamentam o ensino em uma visão globalizada da cultura e apresentar referências teóricas para análise, interpretação da realidade; (c) Ação educativa capaz de vincular teoria e prática voltada para a percepção das relações entre os contextos sócio-econômico-político e cultural. Dessa maneira, a relação entre o educador e o educando deveria ser de trocas e interações tendo como metas o crescimento em conjunto; porém, de aprendizados individualizados.
O professor na Educação a Distância passa a ser um orientador que apresenta modelos, faz mediações, explica, redireciona o foco e oferece opções e como um co-aprendiz que colabora com outros professores e profissionais. A maioria dos professores ou instrutores que utilizam atividades de ensino mediadas pelo computador prefere assumir o papel de moderador ou facilitador da interação em vez do papel do especialista que despeja conhecimento no aluno.
O termo Educação a Distância condiciona a ideia imediata da ausência do professor e do aluno em um ambiente convencional denominado sala de aula. A tecnologia contribuiu sobremaneira para o desenvolvimento da Educação a Distância, pois as barreiras até então apontadas que dificultavam os processos de aprendizagem foram vencidos. As características essenciais da Educação a Distância são a flexibilidade do espaço e do tempo, a abertura dos sistemas e a maior autonomia do aluno.
O que se pode perceber é que na Educação a Distância o sucesso do aluno depende em grande parte de motivação e de suas condições de estudo. Na Educação a Distância não estamos juntos fisicamente, porém conectados. Saímos do contato físico para o contato virtual, vencendo barreiras de espaço e tempo. A demanda para o aprimoramento profissional é um fato hoje e a Educação a Distância apresenta-se neste cenário como uma modalidade capaz de contribuir para este aprimoramento além dos limites de uma sala de aula convencional. Uma das estratégias fundamentais na Educação a Distância é o aluno vencer o desafio de estudar sozinho, obtendo autonomia do seu ato de aprender e, para isso, precisa desenvolver a habilidade de ter uma aprendizagem autônoma. Na aprendizagem autônoma pode-se reconhecer três componentes que desempenham importante papel em todo o processo: o componente do saber; o saber fazer; e o querer.
(1) Componentes do saber:
Tanto o professor quanto o aluno possuem um duplo problema: o de entender o seu próprio conhecimento construído enquanto professor e aluno ao longo de sua vida, devendo dimensionar com clareza a forma de se concretizar uma melhor aprendizagem nas diversas situações. O conhecimento de si mesmo pode direcionar as pessoas para diversos graus de profundidade, variando de indivíduo para indivíduo e dependendo das oportunidades para realizá-las. Não se trata de um saber teórico aprendido e sim de um saber relativo a si mesmo, saber sobre o seu próprio processo de aprendizagem com as suas facilidades e dificuldades, pois o aprendizado ocorre por excitações e afetações.
O "saber" envolve conhecimentos necessários à execução de uma prática. Entretanto, para poder ser capaz de executá-la, é preciso "saber fazer". Portanto, fica claro que ao conhecimento alia-se a habilidade do indivíduo.
(2) Componentes do saber fazer:
Partindo do pressuposto de que todo conhecimento sobre o processo de aprendizagem está naturalmente à disposição de uma aplicação prática, o saber sobre o seu processo de aprendizagem deve ser convertido em saber fazer.
No dia a dia da prática docente, a avaliação de aprendizagem é geralmente realizada pelo professor, tomando como referência apenas o conteúdo desenvolvido, enquanto na aprendizagem autônoma, o aluno não só avalia o seu desempenho em termos acadêmicos, como também avalia o processo desenvolvido na sua aprendizagem, conforme a sua auto orientação.
Para que o ensino possa criar um clima desafiador, pode-se citar três condições básicas: (a) Autenticidade, sinceridade e coerência nas relações professor/aluno; (b) Aceitação do outro, o "saber ouvir", respeitando o outro como ele é, com suas potencialidade e limitações. O professor não deve ficar na relação do "sabe tudo" e o aluno na posição de "tábua rasa". Pelo contrário, deve haver o respeito das individualidades e potencialidades que cada um possua; (c) Empatia, compreender o outro e os seus sentimentos, sem, com isso, envolver-se neles, pois só existe aprendizagem com afetividade.
Na Educação a Distância esse papel é desempenhado pelo tutor que deve entender que a aprendizagem do aluno não é simplesmente transmissão de conhecimento. É, sobretudo, um processo participativo em que o aluno é sujeito do seu próprio conhecimento. A sua participação, portanto, deve ser ativa e, por isso mesmo, estimulada.
Contudo, o aluno deve ser conscientizado de que se trata de um processo de construção e reconstrução, pois as modificações deverão ser efetuadas a partir da sua prática que sempre está a exigir o saber fazer.
(3) Componente do Querer:
O desejo, a vontade de aplicar algo é de fundamental importância para que se obtenha sucesso. Esse componente diz respeito à questão do aluno estar convencido da utilidade e vantagens dos procedimentos de aprendizagem autônoma e querer aplicá-los.
O professor ou tutor no EAD é gestor do processo didático, sendo o grande responsável pela disposição do aluno querer desenvolver a sua aprendizagem autônoma. Deve-se ter a nítida certeza de que o desafio do aluno e do professor ao conduzirem o ensino para o aprender a aprender não irá funcionar de forma consciente como uma vara de condão ou com poderes místicos. O que precisa ser direcionado é a ação pela descoberta tanto do professor como dos alunos, respeitando as especificidades das modalidades de ensino a distância ou presencial.
É tarefa primordial do educador buscar a unidade entre o saber, o saber fazer e o querer, ou seja, entre o pedagógico, o técnico, o psicossocial e o político. Essa unidade, tão necessária ao novo "fazer pedagógico" contextualizado, sem dúvida, contribuirá para que o ensino seja um processo construtivo, agradável, desafiador, estimulante e que se tenha sempre uma atitude aprendente e investigativa.
A aprendizagem autônoma facilita e engrandece o processo de aprendizagem, uma vez que só se aprende o que se deseja; o que é imposto se memoriza e, posteriormente, despreza-se. A autonomia na aprendizagem e o interesse são condições essenciais para o progresso da Educação a Distância. Na aprendizagem autônoma os erros são contribuições preciosas para agregarem novos conhecimentos e, através de descobertas, os estudantes identificarem os seus erros sendo conduzidos de forma prazerosa aos acertos e ao crescimento de novas aprendizagens.
Esse poderia ser um caminho para a melhoria do ensino brasileiro. Trabalhar a autonomia do ato de aprender independentemente da modalidade de ensino. Proporcionar, na verdade, uma formação de indivíduos autônomos, críticos e criativos. Um cidadão que não pense de forma fragmentada, mas de maneira global e sistematizada. Só assim nos tornamos sujeitos de nossa própria aprendizagem.