ORAÇÃO DE UM ENFERMO A SÃO FRANCISCO NESTE 4 DE OUTUBRO...

Por JORGE ESCHRIQUI

Irmão Francisco,
Há meses que a cura não parece chegar.
dias que as dores físicas são quase insuportáveis.
Há horas que as chagas parecem tomar conta da pele.
Há minutos que arrastam-se por uma eternidade com injeções, vacinas e medicamentos que deixam cicatrizes, maltratam e causam mal estar no estômago, no abdômen e outras partes do corpo.
Há segundos que não passam no relógio na sala de espera de clínicas e hospitais na expectativa da próxima proposta de tratamento.
Irmão Francisco,
Ajude-me a valorizar cada instante de vida no plano material.
Que as boas pessoas e os bons momentos do passado sejam guardados com afeto no baú do meu consciente e inconsciente.
Que as minhas ofensas sejam um dia perdoadas pelo Senhor que é Pai e sempre encontrará uma forma de compreender e acolher a todos os seus filhos.
Que eu perdoe e esqueça aqueles que me ofenderam e me ofendem porque a mágoa é veneno que corrói e destrói lentamente a matéria e o espírito.
Que eu faça de todos os momentos desta passagem pela Irmã Terra instantes de constante aprendizagem sobre os aspectos essenciais da existência.
Irmão Francisco,
Fazei-me entender a importância de cuidar bem do corpo que é a matéria onde está guardado o espírito sem que isto me conduza a ser um narcisista.
Peço-lhe que a dor física não me seja jamais motivo para jogar fora a dádiva divina que é a vida no plano material, lançando-me na atitude de fuga da realidade, ainda que saiba que esta existência é, na realidade, apenas uma breve passagem por provas e expiações.
Intercedei para que diminua as minhas lamúrias sobre a enfermidade e compreenda cada vez mais que a dor não é castigo divino e destino cruel, mas um instrumento de regeneração e evolução do meu corpo, da minha mente e do meu espírito.
Irmão Francisco,
Estenda a sua mão e conduza-me através da luz divina quando for o momento da minha passagem para o plano espiritual.
Colabore para que eu não veja a Irmã Morte como uma inimiga a ser combatida e repelida eternamente, pois o encontro com ela um dia é a única certeza que temos neste plano material.
Que a Irmã Morte seja entendida como a companhia que, a qualquer instante, conduzir-nos-á ao encontro do Pai que criou todo o Universo e acolhe todos os seus filhos que recorrem ao seu socorro e arrependem-se sinceramente dos erros cometidos nesta vida material.
Irmão Francisco,
Dai-me a consciência neste restante de vida que tenho para fazer desta fase de enfermidade um processo de autoconhecimento e reconhecimento das belezas primordiais que me cercam.
Que todos os dias que me restam sejam momentos de louvores como o teu cântico às criaturas.
Que eu possa admirar o Irmão Sol ao amanhecer e entardecer, dando graças ao calor que proporciona para aquecer o meu corpo e coração.
Que eu possa amar a Irmã Lua lá na altura que juntamente com as estrelas iluminam a escuridão da noite e, consequentemente, impedindo-nos de cair nas trevas totais.
Que eu possa louvar a Irmã Água que sacia a minha sede e ameniza o calor que maltrata ainda mais este corpo afetado pela enfermidade.
Que eu possa valorizar o Irmão Fogo que cozinha os alimentos que ainda me dão a energia vital para permanecer em pé diariamente.
Que eu possa respeitar a Irmã Terra de onde provém os frutos, os legumes, as verduras e toda a comida que espanta o fantasma da fome todos os dias da minha mesa.
Que eu possa ter compaixão de todos os seres vivos (plantas, animais e pessoas) enxergando neles a imagem do divino criador.
Finalmente, que eu possa entender a Irmã Morte não a partir da representação coletiva da figura obscura com a foice e sem semblante, mas como uma possível amiga que pode acolher-me em seus braços e conduzir-me em paz e harmonia para o plano espiritual.
Irmão Francisco,
Peço-lhe que a enfermidade seja cada vez menos motivo de revolta pessoal comigo mesmo, as pessoas e o mundo à minha volta.
Na verdade, suplico-lhe para que a doença torne-se razão de autorreflexão sobre as minhas atitudes certas ou erradas do passado, do presente e do futuro.
Conceda-me o discernimento para que a enfermidade seja um instrumento de crescimento da minha fé e, por conseguinte, aproximação do Pai. Afinal, o Pai jamais virou as costas para ninguém, muito menos para os vulneráveis, entre os quais estão os enfermos.
Ajudai-me para que a doença traga-me cada vez mais a paciência, a resiliência e a persistência sem deixar que a luta pela continuidade da vida material torne-se uma explosão de amargor, ódio e ressentimento.
Fazei-me ver neste momento de dor física uma oportunidade de busca da paz interior e encontro com a verdadeira espiritualidade.
Que a minha alma possa ser, apesar de todas as adversidades, o autêntico templo e a eterna morada do Senhor!
Amém...
Paz e Bem!



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